sábado, 5 de março de 2011

Capítulos de uma vida.

Minha alma gritou por socorro naquela noite fria, e eu já não conseguia entender até onde fui capaz de chegar, meu rosto era todo coberto por cicatrizes, e as coisas já não fazia mais sentido algum, o espelho era apenas a única coisa que eu não queria mais ver, o relógio que estava pendurado sobre aquela parede branca marcava 2hrs e 33 minutos da madrugada, era como se fosse os minutos finais, lá fora chovia e ventava muito e com o barulho do vento minha alma chorava e gritava por “SOCORRO”.
E os segundos foram decisivos e a cada decisão eu matava um pouco de mim.

O COMEÇO.

Era uma pequena bicicleta verde e com detalhes azuis na rodinha, era como se fosse um grande avião, alias qual a criança que não sonha ter uma bicicleta quando pequena! Eu era persistente e era do tipo que só desistia quando conseguia, não queria andar com rodinhas tanto que fiz questão de ranca-las e pela estrada fui adiante, meu irmão e minha mãe me segurando até que me senti só e sobre o chão e todo sujo.
-Se machucou filho?
Meu irmão rindo do meu tombo, enquanto minha mãe preocupada.
-Não, quero tentar de novo...
E em cada tentativa fui acertando cada vez mais, era apenas um pequeno obstáculo, e para viver só Deus saberia por tantos que iria passar, mas eu era valente, sabe o tipo de criança que seu único medo é o bicho papão?
Mas o tempo foi capaz de se encarregar por duvidas e incertezas, não podia ser uma criança para sempre, e meu único obstáculo não seria para sempre uma bicicleta, assim como meu sonho não seria apenas a aprender a andar, e sim aprender a andar sozinho.
15 Anos, e eu que não sabia quem eu era, e minha única preocupação era não decepcionar meus pais, eu era do tipo que tinha medo de ser o tal filho que eles não queriam, isso me machucava às vezes, eu realmente nunca era eu, sempre era uma copia do adolescente perfeito, lembro que tinha muitos amigos e foi uma fase em que eu aprendi muito, já andava sozinho, mas não totalmente, tinha 2 companheiras que eram totalmente inseparáveis, elas latiam e me lambiam todo dia ao amanhecer, talvez as únicas que me abraçaram quando eu mas precisei.
Sabe qual a coisa que eu mas sinto falta da minha infância? O amor, mas o amor puro, aquele de Mãe e Pai, esse amor não faz sofrer, não machuca e não tira a melhor parte de você, não exige um anel e sexo.
Na parede um relógio, em minhas mãos fotos e lembranças, me sinto fraco, o tempo anda passando tão rapidamente, tenho 20, meus pés andam cansados, meus olhos andam derramando lágrimas sobre o travesseiro, não sei dizer quem eu sou, tenho duvidas, tenho medo, não quero ser, aonde fui parar, eu era forte. O que houve comigo? Vou dormir.

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